O coração do homem bomba faz tum-tum, até o dia em que ele fizer bum!
O coração do homem bomba faz tum-tum, até o dia em que ele fizer bum...
TÁ.
Ele vai estar sentado, circunspecto, magro e rígido... E vai te olhar a principio com desdém... Depois o olho amolece um pouco (só um pouco)
O suficiente pra vontade de olhar pra ele não explodir... Porque a história podia terminar aí e seria só mais um desses homens sérios, que ficam sentados e olham com desdém.... Só que o olhar dele amolece... Amolece e oferece um abismo gigante pra quem olhar fixamente por mais de 3 segundos... Paixão na certa!
O olhar do Homem Bomba amolece (amolece só um pouco, porque ele não é de dar confiança pra qualquer um) e começa uma contagem regressiva e agressiva de quem se dana primeiro, o olhar de quem olha ou resto da dureza que sobrou no olho do Homem Bomba.
BUM!
Aconteceu comigo uma vez... Eu olhei por 4 segundos inteiros....
No primeiro segundo - Tá. Tanto faz...
No segundo segundo - Ele desviou os olhos, passou a mão no cabelo, depois nos botões da camisa e sorriu sem mostrar os dentes
No terceiro – Foi a explosão! E fiquei paralisada... Sem saber o que fazer com as mãos
Ele chegou pra mim, como se aquilo tudo fosse de mansinho, mas não era... Disse meio metido a besta e sussurrando (o que era fatal)
“Olha... A partir de agora você é minha! Não dê osadia pra ninguém”
E eu pensei.... Mas que absurdo!
Só que eu sou que nem todo mundo e me apaixonei por ele...
De vez em quando ele me compra um chocolate, ou um pão com presunto, o que compensa a dureza cotidiana... De vez em nunca ele me escala na agenda de declarações e diz um monte de coisa bonita...
Bom mesmo era brigar com o Homem Bomba. Não fosse a ameaça eminente de que tudo iria pelos ares, eu brigava todo dia... Porque depois da briga ele fazia cartinha (várias e de letra cursiva) deixava em algum lugar que gerasse surpresa e carinho instantâneo e olhava mole-mole, que nem pudim.
TÁ.
Vou ser direta, na lata (bomba caseira) : O nome dele era Gepeto, signo de touro (do qual herdou uma grande admiração por chifres), gostava de correr até sentir falta de ar e não gostava de comida em conserva... Na verdade não gostava de nada em conserva.
Moderninho.
Gepeto tentou ser de um tudo nessa vida... Quando guri, queria ser motorista de caminhão.. Pra rodar o mundo inteiro, mas fazer tal feito, com a bunda bem instalada num acolchoado (Aventureiro, sim! Mas prezando o conforto e o pouco esforço, claro, que ele não é besta) Só que essa ideia não deu pé, não criou raiz... Era combustível demais juntar Gepeto e mais num sei quantos litros de gasolina numa estrada dessas da vida, podia ser até arriscado... Aí, D. Marianinha (Que eu não sei bem se era mãe ou tia de Gepeto, mas foi quem chocou o ovo de onde ele nasceu) disse
“Não me invente negocio de caminhão, menino... Que eu não cuidei de você pra ficar enfiado em estrada... Vai é estudar”
E foi...
Mal sabia D. Marianinha que estudar era uma das estradas mais longas e esburacas que ela podia enfiar o menino...
Gepeto aprendeu tudo direitinho! Era esperto. Aprendeu a fazer pingo no i e a só dava ponto com nó... Quando errava um negocio a professora gritava
“Burro!” e depois do grito ele não errava nunca mais, mas também, parava de tentar...
Foi na escola que ele conheceu um pessoal do circo.
Se enturmou rápido-rápido (já que a regra era: dureza- 3 segundos – paixão)
tentou a carreira de trapezista (leveza demais)
tentou palhaço (risada demais)
tentou mágico ( ) PLIM (sumiu)
Mas tinha vocação mesmo era pra Homem-Bomba! Quando colocava o capacete e entrava no canhão, era uma felicidade tanta que esquecia das estradas, das burrices e da saudade de D. Marianinha... Nunca houve homem bomba mais garboso do que Gepeto. E mais explosivo também...
Foi de uma hora pra outra que a vontade dele passou... E disse
“Não quero mais ser Homem Bomba”
E deixou de ser...
Virou caminhoneiro – e enjoou
Virou sorveteiro – enjoou
Vidente, astronauta, bailarino – enjoou...
Foi quando eu conheci ele. No ápice do enjoo! Ainda levava o titulo de homem bomba devido ao encaixe perfeito que tinha com a profissão e a residente habilidade de explodir o coração das pessoas. Habilidade meio malévola, mas que Gepeto usava sem dó. Colecionava os apaixonados, colando a orta dos corações explodidos num pedacinho de papel...
E a horta foi crescendo, crescendo...
Gepeto cultivava, com desprezo e zelo...
Crescendo, crescendo, crescendo..
Pensou de súbito: Se eu juntar uma quantidade significativa de corações, viro agricultor e me embrenho na minha própria mata...
Ele só não esperava conhecer Romero, isso ele não esperava.
O coração do homem bomba faz tum-tum, até o dia em que ele fizer bum...
TÁ.
Ele vai estar sentado, circunspecto, magro e rígido... E vai te olhar a principio com desdém... Depois o olho amolece um pouco (só um pouco)
O suficiente pra vontade de olhar pra ele não explodir... Porque a história podia terminar aí e seria só mais um desses homens sérios, que ficam sentados e olham com desdém.... Só que o olhar dele amolece... Amolece e oferece um abismo gigante pra quem olhar fixamente por mais de 3 segundos... Paixão na certa!
O olhar do Homem Bomba amolece (amolece só um pouco, porque ele não é de dar confiança pra qualquer um) e começa uma contagem regressiva e agressiva de quem se dana primeiro, o olhar de quem olha ou resto da dureza que sobrou no olho do Homem Bomba.
BUM!
Aconteceu comigo uma vez... Eu olhei por 4 segundos inteiros....
No primeiro segundo - Tá. Tanto faz...
No segundo segundo - Ele desviou os olhos, passou a mão no cabelo, depois nos botões da camisa e sorriu sem mostrar os dentes
No terceiro – Foi a explosão! E fiquei paralisada... Sem saber o que fazer com as mãos
Ele chegou pra mim, como se aquilo tudo fosse de mansinho, mas não era... Disse meio metido a besta e sussurrando (o que era fatal)
“Olha... A partir de agora você é minha! Não dê osadia pra ninguém”
E eu pensei.... Mas que absurdo!
Só que eu sou que nem todo mundo e me apaixonei por ele...
De vez em quando ele me compra um chocolate, ou um pão com presunto, o que compensa a dureza cotidiana... De vez em nunca ele me escala na agenda de declarações e diz um monte de coisa bonita...
Bom mesmo era brigar com o Homem Bomba. Não fosse a ameaça eminente de que tudo iria pelos ares, eu brigava todo dia... Porque depois da briga ele fazia cartinha (várias e de letra cursiva) deixava em algum lugar que gerasse surpresa e carinho instantâneo e olhava mole-mole, que nem pudim.
TÁ.
Vou ser direta, na lata (bomba caseira) : O nome dele era Gepeto, signo de touro (do qual herdou uma grande admiração por chifres), gostava de correr até sentir falta de ar e não gostava de comida em conserva... Na verdade não gostava de nada em conserva.
Moderninho.
Gepeto tentou ser de um tudo nessa vida... Quando guri, queria ser motorista de caminhão.. Pra rodar o mundo inteiro, mas fazer tal feito, com a bunda bem instalada num acolchoado (Aventureiro, sim! Mas prezando o conforto e o pouco esforço, claro, que ele não é besta) Só que essa ideia não deu pé, não criou raiz... Era combustível demais juntar Gepeto e mais num sei quantos litros de gasolina numa estrada dessas da vida, podia ser até arriscado... Aí, D. Marianinha (Que eu não sei bem se era mãe ou tia de Gepeto, mas foi quem chocou o ovo de onde ele nasceu) disse
“Não me invente negocio de caminhão, menino... Que eu não cuidei de você pra ficar enfiado em estrada... Vai é estudar”
E foi...
Mal sabia D. Marianinha que estudar era uma das estradas mais longas e esburacas que ela podia enfiar o menino...
Gepeto aprendeu tudo direitinho! Era esperto. Aprendeu a fazer pingo no i e a só dava ponto com nó... Quando errava um negocio a professora gritava
“Burro!” e depois do grito ele não errava nunca mais, mas também, parava de tentar...
Foi na escola que ele conheceu um pessoal do circo.
Se enturmou rápido-rápido (já que a regra era: dureza- 3 segundos – paixão)
tentou a carreira de trapezista (leveza demais)
tentou palhaço (risada demais)
tentou mágico ( ) PLIM (sumiu)
Mas tinha vocação mesmo era pra Homem-Bomba! Quando colocava o capacete e entrava no canhão, era uma felicidade tanta que esquecia das estradas, das burrices e da saudade de D. Marianinha... Nunca houve homem bomba mais garboso do que Gepeto. E mais explosivo também...
Foi de uma hora pra outra que a vontade dele passou... E disse
“Não quero mais ser Homem Bomba”
E deixou de ser...
Virou caminhoneiro – e enjoou
Virou sorveteiro – enjoou
Vidente, astronauta, bailarino – enjoou...
Foi quando eu conheci ele. No ápice do enjoo! Ainda levava o titulo de homem bomba devido ao encaixe perfeito que tinha com a profissão e a residente habilidade de explodir o coração das pessoas. Habilidade meio malévola, mas que Gepeto usava sem dó. Colecionava os apaixonados, colando a orta dos corações explodidos num pedacinho de papel...
E a horta foi crescendo, crescendo...
Gepeto cultivava, com desprezo e zelo...
Crescendo, crescendo, crescendo..
Pensou de súbito: Se eu juntar uma quantidade significativa de corações, viro agricultor e me embrenho na minha própria mata...
Ele só não esperava conhecer Romero, isso ele não esperava.
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| Foto de Juliano Marques |

Qualquer dia eu explodo.
ResponderExcluirE para explodir eu vou até a galáxia...
Lá, CABUM, estilhaços voltam a terra,
e para cada pessoa que me ama/amo ganha uma parte de mim.
E que quando todos esses amores se reencontrarem me reconstroem novamente.