domingo, 2 de junho de 2013

Toda vadia tem um gato

É conceitual
Li o segundo sexo, apoio a nudez nua, as liberdades obrigatórias, me vitimizo só um pouquinho...
Mas me reconheço mesmo é na Gata. Dia desses fui abrir a geladeira e ela pulou pra dentro!
E ficou lá... Muito confortável...
Quantas vezes já não tive vontade de entrar num lugar qualquer e sumir (de preferencia refrigerado, devido ao calorrrrrrrr dessa cidade) (clichê reclamar do tempo, né? Se fosse chuva eu reclamava, se fosse sol, se fosse qualquer clima extremo!)
A Gata espirra, se desespera com comida/com determinados horários/com bolinhas de papel...
Me deixa humilhada correndo pela casa "Greta, Greta, me ame!!" e some!
Depois volta como se nunca tivesse indo embora
E eu aceito.
No começo eu achava que ela só fazia o que bem entendia... Isso de querer só quando se quer de verdade. E admiro todo o despeito! Mas não é bem assim... De noite ela pula na minha cama, se enrosca e se fragiliza
Acho que ela tem medo de escuro
Depois fiquei sabendo que os gatos enxergam no escuro, o que desbancou um pouco a minha teoria do medo, mas tudo bem, sou mestre em teorias falhas.
Tô esperando o momento em que eu vou chegar em casa, sacolas, sapatos, cansaço e tudo mais
E Greta vai estar sentada na minha cama, usando todos os anéis da minha mãe e os colares do meu pai de carnavais passados.... Vai me olhar com aqueles olhos bem desenhados, mexer os bigodes, negar com a cabeça e dizer: "Você é uma mulher ou um saco de batatas?!"
E eu vou me jogar no chão, definitiva e sonsa, " Um saco de bataaaaaatas!"
Greta não vai se comover (nem um pouco)
Só vai balançar a cabeça em negativa.
Depois da cena, eu vou me recompor... Porque eu faço isso, em algum momento não tem mais como me dar, não tem mais por onde me expressar, aí eu calo a boca... Deveria ser mais orgulhosa, fico gastando as emoções por aí, por qualquer coisa, quando eu precisar sentir de verdade não vai dar...
Enfim, serei eu-recomposta, pensando em todas as vezes que corri com os lobos e em todo suor do qual verdadeiramente me orgulho ... Suor é uma coisa que me promove orgulho.
E mesmo no estado de saco de batatas, poder dizer que me importo e que eu sinto muito... Muito mesmo! No sentido de sentir demais. E nas desculpas que eu já pedi em todas as vias possíveis e você não respondeu porque tava com a boca cheia de carne e batata, sufocado.
Refeições a parte, agora tem uma gata me acompanha e me lembra de empinar o rabo e sair sorrateiramente pela janela.

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